Achei que fosse um pássaro, mas era só um saco de papel. Jessica, 20 anos.





Alzheimer.

Um dia nublado, uma noite perversa, um relógio parado, uma luz que não acendia, uma esperança que se apagava, um cigarro aceso, um copo vazio, um sonho que se tornava pesadelo, uma lembrança trazida, uma bobagem jogada, um coração que não sabia, um papel em branco, um lápis sem ponta, um silêncio mais que ensurdecedor, uma solidão composta por solidão, um e-mail não lido, uma mensagem deletada, uma chamada não atendida, uma frase que esqueceram de dizer. Thomas Sérgio.










Eu perdi, novamente. Fiz de tudo, ou quase tudo para não perdê-los, mas me perdi. Estendi os braços para acolher quem me abandonou depois. Falei dos meus sentimentos, abri meu coração e dei meu tempo para alguém que não soube valorizar. Para eles que se foram. Depois de tantas perdas me tornei um pouco fria, fechada, mas nunca demonstrei. Diante deles aparecia sorrindo, confiante, mostrando que a minha vida podia ser perfeita. Tudo que pensava, meus maiores medos e minhas incansáveis previsões de mais uma solidão, era guardado para mim, em meu interior. Acho que por me sentir solitária, acabei não percebendo que estava rodeada de pessoas, de ami… amig… não consigo escrever e nem pronunciar mais essa palavra. Na verdade eu não queria que eles partissem. Mas talvez eu os deixei que fossem. Talvez eu que fazia os afastarem de mim. Talvez pelo medo de perder, eu perdi. Mas eu não sei, não sei ao certo. Ou sei.


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